Boitatá, o primeiro amedrontador, é a terceira estampa da coleção Réquiem saiba o que é isso clicando aqui . Embora seu nome já tenha sido citado em “Acto2- Monstros de madeira”,  é somente aqui que conseguimos entender qual é seu papel. 

 

Citação ancestral:

 

” Até então ninguém havia o visto,

somente escutado.

Era possível, somente, sentir sua presença,

Quando ele estava pro nossos lados.

 

Por curtos momentos,

a noite se tornava mais clara. 

Parecia até que choveria, mas na verdade

aquilo que com as nuvens se envolvia, era pura brasa.

 

E de repente, brotava um enorme fogaréu,

e nos era devolvido do céu,

os restos de algum de nós 

que tentou invadir seu mausoléu.

 

 

A expansão da aldeia acontecia,

mas somente na media que ele permitia.

A expansão da aldeia poderia acontecer, 

mas deveria começar ao amanhecer e parar antes do anoitecer.

 

 

Porque de noite,

era melhor se resguardar.

Se entrasse na mata,

virava presa do Boitatá.”

 

 

Acto 3: Boitatá o primeiro amedrontador

 

 Temido pela maioria dos donos da terra, o Boitatá era um monstro feroz que guardava a mata e servia como algoz. Para alguns ele era visto como criatura divina, outros acreditavam que era uma criatura maléfica e que iria exterminar a raça humana.

 

Os que pensavam que ele fazia parte do mal, acabaram acreditando naqueles que desceram dos monstros de madeira e na promessa de que eles vieram para os salvar.

 

Os que acreditavam que ele era bom, perderam o medo de explorar a mata mais a dentro e foram em busca de sua ajuda, mesmo sabendo que corriam risco de morrer.

 

A esses o Boitatá revelou sua forma original, com corpo de cobra coberto de olhos e chamas, prometeu em nome de sua mãe, a natureza, arrancar as entranhas de todos aqueles de pele branca, que tentassem a mata explorar. Amedrontou e venceu muitos combates e há quem diga que ainda está a solta.

 

Mesmo com o desmatamento e a diminuição de seu território, ainda é responsável pelo pouco verde que vemos em terras brasileiras. E o defende colocando fogo em quem ousa avançar com a destruição.

 

Revelação

 

O Boitatá é um termo que vem do tupi-guarani e significa boi (cobra), e fogo(tatá), portanto não tem nada a ver com um boi ou uma vaca.

 

Em uma leve comparação com qualquer conto que já tenha ouvido, ele tem grande semelhança com um dragão, pois sim, ele é a figura mais parecida com um dragão que possuímos em nossa cultura. Ao fundo os tribais não são randomicos, são grafismos da tribo Xingú que representam a cobra, animal que para eles era sagrado e está ali para reforçar a crença na divindade protetora da mata.

 

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Daniel Brasa

Designer gráfico, professor e graduando em sociologia.

Sangue de Xavante misturado com bandeirante, filho de paulista

com mineiro, sobrenome português e parentesco no Rio de Janeiro, legitimamente brasileiro.

Maluco por cultura indígena, mitologia, escrita, serigrafia, hardcore, futebol, rap, metal e trabalho artesanal. Apaixonado pela arte, pelo desafio, pesquisa, ironia e sarcasmo.

Bebe água, cerveja, café e de vez em quando até um mé.


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