Matinta  Perera, o segundo amedrontador, é a quarta estampa da coleção Réquiem saiba o que é isso clicando aqui . Se você ainda não conhece o primeiro, conheça o  “Boitatá – O primeiro amedrontador”

 

Citação ancestral:

 

” Bate na porta

Bate no quintal,

bate no homem

se transforma em animal.

 

Pede fumo, pede café.

São essas as plantas que a mantém em pé.

Transformaram o fumo em cigarro, ela gostou.

Usaram café como bebida matinal, ela adorou.

Mas a mãe natureza a convocou

e a ela  fidelidade jurou.

 

O homem branco lhe ofereceu cigarros e café,

outra vez Matinta o pássaro se tornou,

e com canto da morte entre o bico, seu vôo levantou

e por essa noite o perdoou.”

 

 

Acto 4: Matinta Perera o segundo amedrontador

 

Nem todas as batalhas poderiam ser travadas com o Boitatá, sua presença em campo de batalha era sempre eficiente, mas também era prejudicial. Afinal se todas as batalhas fossem travadas com fogo o desequilíbrio poderia ser provocado pela própria mãe natureza e ela jamais faria isso.

 

Por isso alguns agentes mais sorrateiros foram colocados nessa guerra, para finalizar os invasores de forma mais silenciosa. Então entrou em campo aquela que ninguém jamais havia visto, apenas ouvido. Aquela que não se sabia ao certo nem se era ela ou ele, mas que possuía o assobio mais temido da mata.

 

Para os donos da terra, quando a criatura estava em forma de pássaro possuía poderes suficientes para visitar aqueles que tivessem passado para o mundo e o dos mortos. E assumia a forma humanoide possuía aparência digna de amedrontar qualquer um entre os vivos.

 

Lançando maldições e doenças e visitando os assentamentos, Matinta Perera, o segundo amedrontador fazia sua parte para tentar expulsar os invasores. Hora ou outra perdoava um ou outro que lhe desce um bom fumo ou um café, mas a verdade é que muitos para o mundo dos mortos ela arrastou.

 

Revelação

 

Não se sabe ao certo se é bruxo ou bruxa, mas ouve-se que é uma criatura que costuma habitar a região norte do Brasil.A noite, tem prazer em aterrorizar residências, com gritos estridentes, pancadas nas paredes e no quintal. Poucos foram os que tentaram sair para ver o que acontecia e voltaram vivos.

 

Após a noite de terror, uma figura, parecida com esta, costuma bater a porta de quem foi assombrado. A figura pede por fumo ou café e, aquele que não contribuir, pode parar de ter noite tranquilas até pagar, ou até mesmo ser contaminado com fortes doenças.

 

Matinta Perera, também é o nome de um pássaro. Pássaro esse que ela pode se transformar — também existem relatos de que se transforma em coruja— Esse pássaro ,para os índios, significa sinal do além. Um sinal dos que já se foram. Mas o mais curioso, é que esse pássaro carrega também o apelido de Ssaci, por conta do som que ele emite.

E aí, será que essas criaturas são as mesmas ou até mesmo irmãs?

 

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Daniel Brasa

Designer gráfico, professor e graduando em sociologia.

Sangue de Xavante misturado com bandeirante, filho de paulista

com mineiro, sobrenome português e parentesco no Rio de Janeiro, legitimamente brasileiro.

Maluco por cultura indígena, mitologia, escrita, serigrafia, hardcore, futebol, rap, metal e trabalho artesanal. Apaixonado pela arte, pelo desafio, pesquisa, ironia e sarcasmo.

Bebe água, cerveja, café e de vez em quando até um mé.


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