Recordando 2014, “os donos da terra”,  foi a primeira estampa desenvolvida  para dar início a coleção chamada de Réquiem saiba o que é isso clicando aqui . Esta, foi desenvolvida com o objetivo de tentar representar em apenas uma figura, boa parte dos povos nativos daqui.

 

 

Citação ancestral:

 

” No começo eles eram um só.

 

Até que cada olho tentou enxergar uma opção

 

cada língua decidiu que faria a melhor canção

 

e cada pé decidiu que acharia a melhor direção…

 

…Ah, que pena que eles ainda não haviam compreendido

 

que em sua forma original representavam algo invencível.

 

Uma pena não terem percebido antes,

 

que essa força coletiva era gigante.

 

Uma pena não terem percebido antes,

 

quando comparada com a dos monstros invasores”

 

 

Acto 1: Os Donos da Terra

 

Contam as vozes e as canções, que no início só havia um, exatamente, somente um. Mas não um de uma única unidade, sim um, por respeitar um só estado de espírito, o natural. Esse sim, tratado com o artigo definido “o”, porque era a única crença de todos os donos dessa terra.

 

O estado de espírito natural concentrava em si, todos os bons sentimentos e era o único gerador das verdades sobre a terra. Ele as gerava e as deixava circular livremente sobre todo seu território.

 

Porém em certa parte dessa história, uma de suas verdades que caminhava livremente por esse território, teve seu brilho apagado, pois em um de seus passeios se esbarrou com algo novo, que havia invadido essas terras: a mentira.

 

Esse encontro repentino das duas gerou um atrito e este deu a luz ao que conhecemos hoje como dúvida. Verdade, mentira e dúvida discutiram entre si, para saber quem continuaria a circular, mas nessa discussão  acabaram gerando um novo item, algo que hoje nós chamamos de questão.

 

 Esta, veio para atormentar a verdade e  como praga que se alastra em plantação, teve o poder de se multiplicar em várias a ponto de se tornar cada vez mais difícil de responder.

 

Assim a verdade não conseguia se explicar em sua velocidade e ela em parceria com a mentira conseguiu espalhar dúvidas por essa terra, tantas quanto as verdades que o espírito natural já havia espalhado.

 

Novos sentimentos foram gerados nas mentes dos donos da terra,  infelizmente muitos preferiram ficar com as questões mentirosas  e se encher de dúvidas. Sem perceber, começaram a vagarosamente se desconectar de sua natureza, a verdade.

 

Foi próximo a esses momentos de fraqueza que alguns interpretaram aquela visita dos monstros de madeira como algo positivo, se estivessem ouvindo ainda a verdade absoluta da natureza, teriam os colocado para fora.

 

 

Revelação

 

Os donos da terra tem a difícil missão de falar em nome de todas as tribos. Nessa composição apresentamos diversas tribos nacionais em uma única ilustração.

 

O cocar é de origem tupi-guarani, assim como os maracás cruzados abaixo do pescoço. Os olhos nos lóbulos das orelhas e no lábio inferior, destacados na figura, era a crença da tribo Aimoré, nômades de origem Tapuia (não tupi) onde acreditavam que o fato de usar os botoques labiais e auriculares faria com que tivesse maiores proximidades com Marét-Khamaknian, que morava nos céus e se comunicava através de sonhos.

 

Sua expressão raivosa faz referência  a forma de como diversas tribos extintas receberam os intrusos em suas terras, os portugueses. Entre elas estava a tribo Aimoré que foi a principal tribo responsável pelo fracasso das capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo.

 

 

 

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Daniel Brasa

Designer gráfico, professor e graduando em sociologia.

Sangue de Xavante misturado com bandeirante, filho de paulista

com mineiro, sobrenome português e parentesco no Rio de Janeiro, legitimamente brasileiro.

Maluco por cultura indígena, mitologia, escrita, serigrafia, hardcore, futebol, rap, metal e trabalho artesanal. Apaixonado pela arte, pelo desafio, pesquisa, ironia e sarcasmo.

Bebe água, cerveja, café e de vez em quando até um mé.


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