Primeiro post do ano! Ano novo, coluna nova. Ideias novas.

 

Tirei alguns dias dessas férias para estudar  técnicas de estamparia, coisa que dá pra fazer em casa e sem a necessidade de fabricar uma tela (embora no fim do processo eu tenha usado uma).

 

Antes de começar a desenvolver, acho que convém saber um pouco sobre a história da estamparia. Tudo que conhecemos começa a um bom tempo atrás, pra variar lá no velho continente, mas não foram eles quem inventaram tal técnica, eles foram os principais consumidores. O desenvolvimento da técnica de estamparia que vou mostrar nesse post, se deve a um povo que residiu, principalmente, ali no oriente médio, perto daquilo que hoje conhecemos como costa da Síria e Líbano. Estou falando dos fenícios.

 

Essa galera é bem conhecida na história, talvez você já deva ter ouvido falar deles (talvez não, também… relaxa, rs), são bem conhecidos por serem os “pais” do alfabeto escrito e também, por terem dominado o comércio marítimo no mar mediterrâneo. Mas o que pouco se fala, é que eles também são aqueles que valorizaram o comércio de tecidos através da estampa.

 

Além de ótimos comerciantes, os fenícios também tinham ótimos artesãos em seu povo e estes foram responsáveis por desenvolver uma técnica que hoje chamamos de “estampa de bloco”, ou em inglês algo como: “woodblock printing”.

 

 

-Matrizes em madeira ( woodblock)-

 

A ideia é simples, com suas ferramentas os artesãos esculpiam gravuras em um bloco de madeira, o mesmo era molhado em tinta e aplicado sobre a superfície do tecido.

Para que a maior parte do tecido fosse estampado, eles trabalhavam com um padrão de textura — desenhos pequenos que quando encaixados uns ao lado dos outros formavam um grande conjunto, onde não é possível identificar o fim e nem o começo —

( A técnica ainda sobrevive até hoje, principalmente na Índia)

 

Bom, foi tentando seguir essa lógica que decidi experimentar. Não como os fenícios, afinal esculpir na madeira pode não ser tão rápido quanto eu gostaria.

Então optei por usar um material bem barato e conhecido: A borracha escolar.

Usei duas borrachas, em cada uma eu entalhei uma gravura diferente — acho importante ressaltar que as áreas que temos os “buracos”, são as que não vão sair na impressão —.

Para entalhar usei estiletes de precisão, mas se você não tiver pode ser o comum mesmo.

Para ajudar no apoio eu usei pedaços de madeira e colei com cola adesiva instantânea (tekbond ou superbonder… paga nóis hahaha).

Aí veio a hora de testar: molhei em tinta e apliquei sobre o papelão. Deu pra perceber que a precisão com a borracha é um pouco difícil, porque ela é flexível, diferente da madeira.

 

Mas os resultados são interessantes. Então troquei de cor e parti para o desenvolvimento de uma peça maior. Decidi fazer um background tamanho A3 elaborado com essas texturas.

Confesso que levou um tempo considerável pra terminar – umas 2h – mas valeu a pena!

Pra finalizar aquela bela silkada no papelão (pode sim, por que não?).


E ficou assim!

Essa técnica exige um pouco de paciência. Quanto mais você tiver, mais legal pode ser o resultado. Vou continuar tentando essa e mais algumas por aqui. Caso você queira tentar algumas, tenho um convite pra você!

Na próxima semana dar um curso de férias bem bacana chamado: “Estamparia: Da técnica a Magia” em São José dos Campos, na escola Kinoene Arts.

Confira as informações do curso clicando no link: http://kinoenearts.com.br/cursos/estamparia-da-tecnica-magia/

É só se inscrever e vir aprender comigo tudo sobre estamparia!

 

Daniel Brasa

Designer gráfico, professor e graduando em sociologia.

Sangue de Xavante misturado com bandeirante, filho de paulista

com mineiro, sobrenome português e parentesco no Rio de Janeiro, legitimamente brasileiro.

Maluco por cultura indígena, mitologia, escrita, serigrafia, hardcore, futebol, rap, metal e trabalho artesanal. Apaixonado pela arte, pelo desafio, pesquisa, ironia e sarcasmo.

Bebe água, cerveja, café e de vez em quando até um mé.


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